Clássicos
Em uma fase onde a música brasileira soltava clássicos a todo instante um ponto central aparecia:Nara Leão. Num ano rico em discos,1965,a cantora arrasava com O Canto Livre De Nara,gravado no auxílio do irressistível Tamba Trio. A música que mais representa o momento pelo qual Nara passava era Segredo Do Sertanejo(Uricuri), de José Cândido e João do Vale, onde acontece um dueto da voz com o violão, tocado por um tal de Dorival Caymmi Filho,para depois cair na bossa agreste de João do Vale, que ainda seria interpretado com Carcará,canção essencial deste período.
O início do disco é arrasador, com Corisco, parceria do ótimo Sérgio Ricardo com letra de Glauber Rocha e Samba da Legalidade, composta apenas por Zé Kéti e Carlos Lyra(dois clássicos). O instrumental apurado de Luís Eça, Bebeto e Ohana aparece por inteiro no swing de Não Me Diga Adeus, com um solo de flauta muito bom, uma cortesia de Bebeto. Na seqüência a artista atinge um nível altíssimo em Canto Livre(de Bené Nunes e Dulce Nunes), onde se encontram o piano de Eça com as cordas de Peter e seu naipe. Suíte dos Pescadores,de Caymmi,mostra claramente que nossa música evoluiu muito, caprichando nos vocais,perfeitos. A bela arte de Zé Kéti volta com duas: Malvadeza Durão e Nega Dina, sambas imortais com balanço puro. O final do LP se dá com três obras-primas : Aleluia, do genial Edu Lobo e Ruy Guerrra,que é uma música incrível; Minha Namorada, bossa nova total de Lyra com Vinícius, deixando Nara mostrar seu grande talento,a sua voz e Incelença, que evoca os anjos deste mundo,pedindo a tão importante proteção divina(música encontrada no folclore).
A imensidão da obra de Nara Leão sempre foi além do convencional e está aí para os interessados em boas trilhas sonoras.

Escrito por rodrigo flávio às 21h15
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